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Apex-Brasil divulga estudo de mercado para oportunidades na cadeia fria da Índia




08 - novembro - 2019

Com o sistema de logística e refrigeração ainda precários, o país investe cada vez mais no setor

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) publicou um estudo de mercado sobre produtos para a cadeia fria na Índia, o que pode orientar os fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros do setor de refrigeração para as oportunidades no país asiático.

A falta de ferramentas de refrigeração na Índia é um grande problema, que acaba provocando índices de desperdício de alimentos de até 25%. Para evitar esse tipo de dificuldade, o governo do país investe com força em infraestrutura e logística. Entre os anos de 2015 e 2018, a importação de produtos para refrigeração teve um crescimento de 15,7% ao ano, um valor que aumentou de US$ 2,6 bilhões para US$ 4,1 bilhões, respectivamente. A China foi a principal fornecedora desses produtos, representando 34,7% das importações deste setor em 2018. 

A estratégica de logística precária para o armazenamento e refrigeração de alimentos na Índia é um dos maiores problemas de estrutura do país, que é o segundo maior produtor de frutas e legumes do mundo. A intenção do governo indiano é de diminuir o nível de desperdício para 5% por meio do desenvolvimento logístico de transporte e refrigeração de alimentos.

Apenas 75% dos armazéns no país são adequados para armazenar legumes e 25% para frutas. Estima-se que apenas 10% desses produtos recebem refrigeração adequada de fato.

As câmaras frias podem ser utilizadas em várias indústrias, como a de alimentos, químicos, farmácia, bebidas, agricultura e hotelaria, por exemplo. O estudo ainda explica que os principais produtos que dependem do sistema de refrigeração são: leite, alimentos prontos para consumo, carnes, frutos do mar, alimentos processados, sorvetes e sobremesas. Sendo que os produtos lácteos e de carnes são os que mais contribuem para o setor de alimentos industrializados.

Outros setores que dependem da cadeia fria são os de saúde e os de químicos. Para esses produtos, é essencial que a temperatura esteja correta, para não deixar a substância perigosa para a utilização.

Neste quesito, a Índia é uma das líderes na produção de vacinas, medicamentos e petroquímicos, que, neste último caso, dependem da separação de gases que precisam ser submetidos a uma temperatura de -150ºC, com capacidade de 10 mil toneladas.

Outros químicos que precisam de ajuste de temperatura são os álcoois (metanol, etanol), os ésteres (acetato de etilo), os éteres (éter dietílico) e as cetonas (acetona, ciclohexano), substâncias que se tornam altamente inflamáveis se expostas a uma temperatura de mais de 37,8 °C.

Outro ponto interessante para ser analisado é o índice demográfico da Índia. A população indiana chegou a bater
1,3 bilhões em 2018, e estima-se que seja o país mais populoso do mundo em menos de 20 anos, superando até mesmo a China. O estudo ainda aponta que até 2021, a taxa média de crescimento anual deve ser de 23,2%. A Índia ainda é tida como a economia que mais cresce entre os países em desenvolvimento. 

O crescimento populacional abre grandes janelas de consumo, principalmente de alimentos frescos e perecíveis, como frutos do mar, peixes, carnes, frutas, verduras e legumes. Outros hábitos de compras modificam o mercado indiano. Com o aumento da renda e com o processo de urbanização, a indústria de hipermercados e varejo eletrônico crescem entre 20% e 30% ao ano na Índia. Estas também são variáveis importantes que levam a impulsionar a cadeia fria no país. O estudo aponta que é prevista uma taxa média de 10,5% de crescimento entre os anos de 2019 e 2021.

A Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria  Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial, que é a frente de equipamentos para o setor de cadeia fria, movimentou em 2018 mais de US$ 360 milhões em exportações. A Índia está entre os 20 principais compradores de aparelhos brasileiros para o setor, sendo que, no mesmo ano, as exportações para o país asiático corresponderam a mais de US$ 3.7 milhões.